dimanche 12 octobre 2008

Dançar o poema















TEXTOS EM AVULSO

Andar ao poema

Vou andar ao poema

a dar de beber aos passaros.

Na fonte passeia um animal ondulante.

Um pescoço de gato preto a movimentar-se

no escuro.

Cegueira amavel e bruta provoca benzeduras

em surdina.

Roma mordida em golpes de sangue.

Surge um relâmpago na noite habitual

do desejo.

Tenho de fechar os olhos para ver o que se passa.

Vou continuar a andar no poema com a minha lingua

de falena arrependida.

No fundo, ao longe, vou andar ao poema

se nao acordar contigo.

Pacé, 31.O5.O8

4 commentaires:

observatory a dit…

sim sim

rezas e outras coisas

de tanto

de muro

de gato

de caldeirão

pn a dit…

belo exorcismo já da noute dos tempos.
nas cavernas, à luz das chamas, em sombras dançantes, nas paredes projectadas?
falena, a língua, polvilhando de sulcos quase iridescentes os carreirais amaviosos do desejo...

bonjour Lidia, la danseuse de Ricardo, au bord de la rivière qui ne cesse de couler.

AnaMar a dit…

"Se não podes ser o poeta, sê o poema.

Belo texto...

claudia a dit…

Olá

cheguei até você pelos misteriosos caminhos da net, acho que passei pela alice macedo (certamente passei) e o encantamento que sinto ao ler os textos dela abriu as portas para assimilar suas palavras e imagens. Lindos! Abs (do Brasil) Claudia.