dimanche 12 octobre 2008

Dançar o poema















TEXTOS EM AVULSO

Andar ao poema

Vou andar ao poema

a dar de beber aos passaros.

Na fonte passeia um animal ondulante.

Um pescoço de gato preto a movimentar-se

no escuro.

Cegueira amavel e bruta provoca benzeduras

em surdina.

Roma mordida em golpes de sangue.

Surge um relâmpago na noite habitual

do desejo.

Tenho de fechar os olhos para ver o que se passa.

Vou continuar a andar no poema com a minha lingua

de falena arrependida.

No fundo, ao longe, vou andar ao poema

se nao acordar contigo.

Pacé, 31.O5.O8

mercredi 8 octobre 2008




















QUIETA!
( un solo pour le peintre Paula Rego)
suit le post complet en portugais.

QUIETA!




















QUIETA! um solo para a Paula Rego

QUIETA !

( um solo para a Paula Rego)

Olho o quadro da pintora Paula Rego
com o mesmo titulo, vejo uma mulher sentada
de braços cruzados, escondidos atras das costas,
de pé descalço um sobre o outro, a boca fechada,
o corpo em tensao, ela é provocante e submissa.
O cinto do vestido esta desapertado…
Detalhe que me reveala a sua dupla postura,
disponibilidade ambigua, oferta e fechada.
Tento agir na periferia do gesto pictural,
resistir à aparente imobilidade do personagem
e de combater a sua violência,
nao esposar o conforto da fuga, inclinar-me até à queda,
quando a fadiga nos surpreende.
Enfim, se eu gardo a postura vertical face aos eventos,
é porque me dou um certo tempo para vos abordar.

LM, Paris Setembro 18-09-2007.

Criaçao em 2002, Tremplin Théâtre, Paris.

Textos poéticos : Pedro Tamén, José Luis Peixoto.

Coreografia, interpretaçao, fatos :lidia martinez

Musicas :Luc Ferrari, Gordon, Pena, Tozé.

Paisagem sonora :Thierry Jousse, LM.

Criaçao luzes : Clermonth Pithan, Patricia Godal

Vidéo : Valeria Richeti

Fotografias : Véronique Dandeker

Este espectaculo foi apresentado em Paris no Théâtre de L’échangeur,

em Junho de 2006.

lidia martinez reside em paris desde 1972, onde trabalha no dominio

das artes plasticas, dança e escrita.

Representou a França e Portugal em diversos eventos internacionais.

Prepara em Paris três novos espectaculos para 2008.

Um duo sobre a obra da Paula Rego, e duas peças curtas de teatro.

Uma exposiçao para Portugal sobre o mito da inez de Castro,

encontra-se em elaboraçao.

lidia martinez

http://www.autre-cas.blogspot.com/

dimanche 21 septembre 2008


Lost something

A imagem de Maria é o silêncio, a estatua.

A adoraçao ou « o sofrimento da luz «, Goethe.

Aquele que guia é guiado.

A queda segue a luta com os passaros.

Dançar o rastro, o espaço entre duas cicatrizes.

O segredo, a uniao dos contrarios.

A minha recusa é a recusa.

O nao inscreve-se em maisculas na fronte.

O orgulho do barroco e a minha memoria de tudo.

Os rastros sao as ressonâncias.

« La petite musique “ vela sobre o silêncio,

continuo imovel.

Deitada no chao estremeço.

Uma paisagem desenha-me no rosto,

as rugas da infância.

Dentro do caos, o silêncio.

O silêncio de Auschwitz,

pesado abandono de chumbo,

num peito de algodao.

Suspenso no vacuo indizivel,

o esquecimento.

Na imobilidade segura,

tudo se rasga.

A dança recusa-se, acumulo as suas recusas.

O corpo procura o repouso,

lembra-se tao pouco da unidade.

Aprendo as palavras.

Avanço e ja a vida nos ultrapassa.

O gesto fissura-nos a memoria.

O corpo magoado perdura na sua mortalidade,

no seu cansaço quotidiano,

a arma contida no gesto do consentimento,

no da recusa.

Corpos reclamando espaço,

respeito, autoridade.

Dançamos e construimos o nosso corpo

nesta graça,neste sofrimento.

O corpo difère do coraçao.

samedi 13 septembre 2008

Les heroïnes souffrent...







les héroïnes penchées souffrent d'une belle définition

Un garçon debout court dans la poussière un matin plein d'oiseaux.
Julie court au désastre, même si elle exécute sa disparition.
L'intime et le monde jouent de l'espace
et mon souffle court vers la plénitude de l'instan
t.
Comme dans des moments de pause,
les héroïnes penchées,
souffrent d'une très belle définition
du corps anthracite.
Livrées aux profondes marges de la connaissance,
les femmes ont comme option, de décoller les deux,
peau et sens.
,
Un hêtre boisé est suspendu
au plafond
tenu par trois cintres en merisier,
Rien de tout cela fut facile à équilibrer sur l'accoudoir.

.
LM, mars 08


jeudi 11 septembre 2008






Paixao nas pregas juntinhas do meu vestido, humido da noite, fresco na madrugada.
Dei à luz um mistério re recomeço
o ciclo da ressurreiçao.
inez, Paris, 2008.

vendredi 5 septembre 2008

o pé da ternura















(...) rodando a simetria de um passo
para outro
dançando a sos, com o vento.
LM. 30.09.08